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Desglobalização ou reglobalização

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Desglobalização ou reglobalização

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A onda contrária ao mercado mundial globalizado é apenas um dos diversos sintomas daquilo que o The Economist chama de uma “disseminada ansiedade sobre os efeitos da abertura das economias”. Assistimos, neste ano, à votação dos britânicos pelo Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, levada por preocupações quanto aos impactos da miscigenação econômica sobre os empregos, serviços públicos e a própria cultura. Grandes corporações são acusadas de aproveitar ligações estrangeiras para se esquivar de impostos, ao passo que, em defesa própria, justificam-se as manobras como forma de evitar perdas decorrentes da abertura de mercado. Porém – alerta a publicação – há uma diferença enorme entre melhorar a globalização e revertê-la, e a ideia de que a abertura é um esquema que beneficia apenas as corporações e os ricos não poderia estar mais distante da verdade.

Um dos avanços permitidos pela globalização nas décadas subsequentes à II Guerra Mundial foi a melhoria dos padrões de vida de países que começaram a se restabelecer por meio das exportações, que não passavam de 8% do PIB mundial em 1950, para chegar a quase 20% no ano 2000. Dentro dos países, as exportações fizeram com que as empresas ganhassem em produtividade e eficiência, além de aumentar a faixa salarial de seus trabalhadores.

Por outro lado, o protecionismo se mostrou prejudicial ao consumidor e pouco fez pela classe trabalhadora. Em estudo mencionado pelo The Economist, no qual se avaliam 40 países, verifica-se que os consumidores mais ricos do mundo perderiam 28% de seu poder de compra caso as portas do comércio mundial se fechassem, enquanto a população mais pobre perderia nada menos do que 63% de seu poder de consumo com o fim da globalização. Um exemplo citado foi a determinação de Barack Obama, em 2009, que impediu a compra de pneus chineses como uma medida antidumping, e que custou aos EUA cerca de US$ 1,1 bilhão ao ano, de acordo com o Instituto Peterson de Economia Internacional.

Outros benefícios da globalização se mostram em melhoria da qualidade de vida de imigrantes, contribuindo não apenas para sua trajetória pessoal, mas para a do país de destino, com impostos e força de trabalho, competitividade, intercâmbio de tecnologia.

Mesmo contabilizando os benefícios da globalização, é difícil sustentar, no entanto, que ela não tenha falhas. Perda de empregos na indústria local, aumento das contas previdenciárias, evasão de impostos, episódios de preconceito e racismo contra imigrantes. O artigo de The Economist afirma que muito se tem a fazer ainda para combater os pontos fracos da globalização, e que nenhum dos candidatos à presidência da república dos Estados Unidos oferece políticas que ajudem os trabalhadores afetados pela disseminação da imigração e o barateamento da produção de menor tecnologia. Na visão de Donald Trump, a competição desigual com países estrangeiros acaba com os empregos do país, justificativa usada pelo candidato para questionar o NAFTA (Acordo de Livre Comércio Norte-Americano) e a participação do país na TPP (Parceria Transpacífico), numa guerra comercial com a China. Hillary Clinton, por sua vez, também tem denunciado a TPP, um pacto de que ela própria participou durante a negociação.

Enquanto vários enxergam as regras que comprometem países signatários como afronta à democracia, há outras teorias segundo as quais as regras podem melhorar a autonomia nacional sobre as finanças públicas. Porém, no cenário em que vivemos, o pior posicionamento, segundo The Economist, seria virar as costas à globalização em prol do protecionismo ou nativismo. A discussão polarizada acerca da abertura de mercados pouco mudou no último século, porém não se pode negar que as oportunidades são muito mais abundantes e variadas em economias abertas do que em fechadas.

Fonte: Guia Marítimo



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